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RELAÇÃO DOS TRANSTORNOS DO SONO E IDEAÇÂO SUICIDA NA DEPRESSÃO
(especial para SIIC © Derechos reservados)
Autor:
Sara Laxhmi Chellappa
Columnista Experto de SIIC

Institución:
Psychiatric University Clinic, Basel, Suiça

Artículos publicados por Sara Laxhmi Chellappa 
Coautor
Sara Laxhmi Chellappa* 
Médica E Pesquisadora, Psychiatric University Clinic, Basel, Suiça, Basel, Brasil*

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Aprobación: 6 de febrero, 2008

Primera edición: 16 de diciembre, 2008

Segunda edición, ampliada y corregida 16 de diciembre, 2008

Conclusión breve
Transtornos do sono, tais como insônia, podem estar associados à ideação suicida clinicamente significante e, especificamente, com ideação suicida ativa e planos específicos para suicídio em pacientes ambulatoriais com transtorno depressivo. Desta forma, transtornos do sono devem ser considerados na avaliação clínica da depressão, em relaçâo ao risco de suicídio.

Resumen



Clasificación en siicsalud
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Especialidades
Principal: EpidemiologíaSalud Mental
Relacionadas: Neurología

Enviar correspondencia a:
Sara Laxhmi Chellappa, Post-Graduate Program in Health Sciences, Center of Health Sciences, Federal University of Rio Grande Do Norte, CEP 59010-180, Natal, Brasil

RELAÇÃO DOS TRANSTORNOS DO SONO E IDEAÇÂO SUICIDA NA DEPRESSÃO

(especial para SIIC © Derechos reservados)

Artículo completo
Diversos estudos epidemiológicos têm descrito que os transtornos do sono, em destaque à insônia, podem estar associados ao risco de suicido em pacientes depressivos (Duggan et al., 1992; Agargun et al., 1997). Por exemplo, a presença de insônia quando se realiza o diagnóstico de depressão pode ser um dos poucos preditores de suicídio propriamente dito no primeiro ano de seguimento destes pacientes (Fawcett et al., 1990). Em concomitância, a ideação suicida é relativamente mais frequente em pacientes com insônia e depressão em comparação com pacientes depresivos que não apresentam queixas de insônia (Sabo et al., 1991). Como pode ser visto, pacientes suicidas com depressão habitualmente relatam dificuldades com o sono, com ênfase à insônia, e, secundariamente, à hipersonia e aos pesadelos, que, de fato, são muito frequentes em pacientes suicidas (Bernert et al., 2005). Considerando isso, torna-se fundamental investigar, durante a avaliação clínica, a presença de transtornos do sono em pacientes depressivos, tendo em vista a relação existente entre a depressão, a ideação suicida e o risco de suicídio.



Recentemente, realizamos um estudo epidemiológico para examinar a relação de transtornos do sono, como a insônia e a hipersonia, com a ideação suicida em pacientes ambulatoriais com transtorno depressivo maior. Para tanto, foram entrevistados 70 pacientes ambulatoriais com diagnóstico de transtorno depressivo grave, segundo os critérios da DSM-IV-TR (2000). Foram utilizados o Questionário de Hábitos do Sono, que permite investigar a presença de determinados tipos de transtornos do sono, como a insônia e hipersonia, e a Escala de Ideação Suicida de Beck, que permite acessar os principais componentes da ideação suicida, como a ideação ativa e passiva, os planos específicos para o suicidio e as tentativas prévias de suicídio. A análise dos dados compreendeu o teste t-de Student, o teste qui-quadrado e o modelo de regressão logística.



No nosso estudo, observamos que os pacientes depressivos apresentavam altas pontuações de ideação suicida, com destaque à ideação suicida ativa e aos planos específicos de suicídio. Os pacientes depressivos com insônia (70% da amostra) apresentavam pontuações significativamente mais elevadas de ideação suicida global em comparação com os pacientes com hipersonia (30% da amostra). Paralelamente, observamos que os pacientes depressivos com insônia apresentaram pontuações significativamente mais altas de ideação suicida ativa, passiva e de planos específicos de suicídio, em comparação com os pacientes com hipersonia. Quando se realizou a análise multivariada, que permite acessar quais são os fatores de risco que poderiam contribuir para uma maior ideação suicida, apenas a insônia obteve uma associaçâo significativa com a ideação suicida. O fator de risco, neste caso, foi 3 vezes maior de um paciente depressivo com insônia apresentar ideação suicida. Outros possiveis fatores, como a idade, o sexo, a duração do transtorno depressivo e a hipersonia não foram signitivamente relacionados com a ideação suicida.



As explicações para a relação dos transtornos do sono, depressão e ideação suicída são diversas e de natureza complexa e multifacetada. Por exemplo, a coexistência de uma maior propensidade para a ideação suicida em pacientes com insônia é tamanha que esta última tem sido descrita como um importante fator de risco para desenvolver ambas a ideação suicida e o suicidio - propriamente dito - em pacientes depressivos. Nesses casos, este fator de risco pode ser de até 4 vezes maior de desenvolver tendências suicidas em pacientes com depressão e insônia. Por sua vez, a relação da hipersonia, depressão e ideação suicida foi significativamente menor no nosso estudo. Uma possível explicação é o fato de a hipersonia consistir em uma categoria cliínica bastante diversa, que abrange diversas situações clínicas, como apnéia do sono e narcolepsia, entre outros. Desta forma, esta natureza heterogênea da hipersonia pode ser a responsável pela baixa associação com a ideação suicida (Chellappa & Araújo, 2006).



A novidade deste trabalho foi avaliar aspectos específicos da ideação suicida, como a ideação ativa e passiva, os planos específicos para o suicídio e as tentativas prévias de suicidio, em relação aos transtornos do sono na depressão. Como pode ser observado pelos resultados, pacientes com insonia apresentaram maiores pontuações na maioria destes componentes da ideação suicida. Uma possivel explicação para isso é baseada em um modelo teórico do compartamento suicida em pacientes depressivos (Mann et al., 1998), segundo o qual, a ideação suicida, planos específicos para o suicídio e a insônia consistem em algumas das principais queixas referidas por pacientes depressivos, notadamente em quadros depressivos graves. Todavia, a causalidade existente entre o sono, os transtornos do sono e a ideação suicida ainda não está clarividente. Uma hipótese propõe que, na depressão, existe uma disfunção serotoninérgica que acarreta em distúrbios na regulação do ciclo sono-vigília, resultando na insônia (Riemann et al., 2001). Dessa forma, é possivel que essas alterações neurobiológicas possam ser as responsáveis pela relação dos transtornos do sono com a ideação suicida. Contudo, são necessários mais estudos para melhor esclarecer e estabelcer de que forma a insônia e outros transtornos do sono, como os pesadelos e a própria hipersonia, podem acarretar em tendências suicidas em pacientes depressivos.



Considerando, portanto, que os transtornos do sono podem estar associados à ideação suicida e, especificamente, com a ideação suicida ativa e os planos específicos para o suicídio em pacientes ambulatoriais com transtorno depressivo, a relevância clínica destes resultados é que a avaliação do sono pode contribuir para acessar o risco de suicídio em pacientes com transtorno depressivo maior.


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